
Eu era uma garota deprimida. Infeliz. Aos 15 anos de idade, morava com meus pais, pois não havia concluído meus estudos. Não tinha muitos amigos. Na verdade, não tinha nenhum.
À noite, eu perambulava pelas ruas vazias. O único som era o de meus pés tocando o asfalto, minha respiração ritmada, e o bater tranquilo de meu coração. Tum-tum, tum-tum. A batida alta não vinha de mim.
Tum-tum, tum-tum.
Curiosa, segui o som. A cada passo ficava mais alto. Tum-tum, tum-tum. Cheguei a um campo de futebol. Tum-tum, tum-tum. Havia um vulto recostado à trave do gol.
Tum-tum, tum-tum.
Sabia que não devia seguir adiante, mas queria saber o que era esse som. Tum-tum. O vulto era um garoto, mais ou menos da minha idade. Sua roupa era toda preta. Tum-tum. Agora, a batida era ensurdecedora.
" O que é isso? ", perguntei. " Música " , ele respondeu, com certeza pensando que eu era uma idiota. "Sim, mas é diferente de todas as que eu já ouvi ". Entenda. Eu era de classe média, e é claro que em minha casa tinha um rádio, mas minha mãe só colocava músicas suaves, calmas, para tocar. A batida que tocava no campo era completamente nova para mim.
" É rock ", o garoto me informou. " Rock", falei, saboreando a palavra nova. Sentei-me ao lado do garoto, fechando os olhos, para apreciar a música.
Agora, todos os dias venho para o campo, ouvir as músicas de que Jesse, meu novo amigo, gostava. Deixei de ser a garota deprimida, pois, agora, tinha uma razão para viver. O rádio, definitivamente, mudou minha vida.
Eu vivo para o tum-tum do rock.
Esse texto foi feito por uma amiga minha, que tem um blog chamado
Livros da Lakse eu totalmente recomendo pra quem gosta de textos incriveis.
XoXo
Lóoul